Para saber se uma financeira de bairro é confiável, confira três pontos antes de assinar: se ela é autorizada pelo Banco Central ou é correspondente de um banco autorizado, se o CNPJ do contrato bate com o nome da fachada e se o CET aparece por escrito. Loja que oferece empréstimo precisa dizer qual financeira está por trás, e pessoa física que vive de emprestar dinheiro a juros não é instituição autorizada. Se faltar qualquer um desses pontos, não assine e não pague nada adiantado.
Quem está negativado costuma ouvir "aqui a gente libera na hora" em salinhas de crédito, lojas de rua e anúncios colados no poste. Este guia mostra como separar o negócio legal do improviso perigoso.
Quem oferece dinheiro rápido no bairro e o que cada um precisa ter
| Quem oferece | O que precisa ter | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Financeira ou sociedade de crédito | Autorização do Banco Central e contrato com CET | Pedir depósito antes de liberar |
| Correspondente bancário (salinha de crédito) | Informar qual banco representa; o contrato sai em nome do banco | Contrato em nome da própria salinha ou de uma pessoa |
| Loja com crediário ou "empréstimo no carnê" | Identificar a financeira parceira ou o crediário próprio, com contrato | Não dizer quem financia; cobrar só em dinheiro, sem recibo |
| Pessoa física que empresta a juros | Não é instituição financeira | Juros altos "combinados de boca", ameaças, retenção de cartão ou documento |
O correspondente bancário é uma empresa contratada por um banco para atender em nome dele. Ele pode ser legal, mas não é o dono do crédito: quem responde pelo contrato é a instituição que ele representa. Já quem empresta dinheiro do próprio bolso cobrando juros acima do permitido pratica agiotagem, que é crime. Leia mais sobre esse risco em empréstimo com agiota.
Como checar em 10 minutos, pelo celular
- Pergunte o nome da instituição que vai aparecer no contrato. "É da gente mesmo" não é resposta.
- Procure esse nome no site do Banco Central (bcb.gov.br), na busca de instituições autorizadas a funcionar.
- Se for correspondente, ligue para o SAC oficial do banco informado, com o número tirado do site do banco, e pergunte se aquela loja atua em nome dele.
- Confira o CNPJ que aparece no contrato na consulta pública da Receita Federal e compare a razão social com o nome da instituição.
- Pesquise reclamações no consumidor.gov.br e no ranking de reclamações do Banco Central.
Se a empresa não deixa você fazer essas consultas antes de assinar, ou apressa a assinatura com "a condição é só hoje", desista.
Sinais de que a salinha ou a loja não é confiável
- Pede para ficar com o seu cartão do banco, a senha ou o documento original.
- Pede para você assinar nota promissória ou contrato com campos em branco.
- Libera dinheiro em espécie sem contrato ou com contrato "para depois".
- Cobra taxa de cadastro, seguro ou depósito antes de liberar.
- Faz cobrança na porta de casa, no trabalho ou com ameaças.
Exija contrato com CET antes de assinar
As regras do Banco Central exigem que o Custo Efetivo Total (CET) seja informado antes da contratação. O CET reúne juros, tarifas, seguros e impostos em uma taxa única e é a melhor forma de comparar propostas. Se ninguém informa o CET, ou se a resposta é "isso a gente vê depois", não siga em frente. Entenda melhor em como calcular o custo real do empréstimo.
No contrato, confira também:
- Valor liberado (o que de fato cai na sua conta).
- Número e valor das parcelas.
- Data do primeiro vencimento.
- Encargos em caso de atraso.
- Regras para quitar antes do prazo.
Nenhuma cobrança antes de receber
Esse é o teste definitivo: nenhuma empresa séria cobra valor antecipado para liberar empréstimo. Taxa de cadastro, seguro pago à parte, depósito para "comprovar renda", tudo isso antes do crédito é golpe. Conheça o roteiro completo no guia sobre o golpe do depósito antecipado.
Perguntas para fazer antes de fechar
Uma empresa séria responde a estas perguntas sem rodeios. Se as respostas forem vagas, siga em frente sem ela.
- Qual é a instituição financeira responsável pelo crédito? Precisa ter nome e CNPJ.
- Qual é o CET mensal e anual? Peça os dois, por escrito.
- Quanto vai cair exatamente na minha conta? O valor liberado pode ser menor que o contratado se houver descontos de tarifas ou seguros.
- Há seguro incluído? Ele é opcional? Seguro não pode ser imposto como condição.
- Quais são os encargos em caso de atraso? Multa, juros de mora e o que acontece com a garantia, se houver.
- Posso quitar antes? Como é feito o desconto? A quitação antecipada deve ter redução proporcional dos juros.
- Por qual canal recebo o contrato? Prefira app, site ou e-mail oficial.
Sinais de empresa irregular, mesmo sem cobrança antecipada
Nem toda empresa problemática é golpe declarado. Algumas operam de forma irregular, cobrando juros fora do contrato ou usando cobrança abusiva. Fique atento a:
- Contrato enviado só depois que o dinheiro cai.
- Juros "combinados" verbalmente, diferentes do papel.
- Exigência de cheque em branco, senha bancária ou cartão como garantia.
- Ameaças ou exposição em redes sociais em caso de atraso.
Qualquer um desses sinais é motivo para não contratar e, se já contratou, para registrar reclamação nos canais oficiais.
Depois de contratar: acompanhe o que está em seu nome
Mesmo com empresa confiável, vale conferir periodicamente se não existe contrato que você não reconhece. O Registrato, do Banco Central, mostra empréstimos, contas e chaves Pix ligados ao seu CPF. Veja como consultar o Registrato e o Valores a Receber.
Onde reclamar se algo der errado
- Ouvidoria da própria instituição, depois de tentar o SAC.
- Banco Central, pelo canal de reclamações no site bcb.gov.br.
- Consumidor.gov.br e Procon do seu estado.
- Polícia, com boletim de ocorrência, em caso de golpe.